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Um exemplo da aplicação deste princípio básico é o trabalho do médico. Quando vamos ao médico falamos quais são os sintomas (efeitos) que sentimos. Ele muitas vezes ainda pede alguns exames (sangue, urina, etc). O que o médico está tentando fazer é entender os sintomas e com isso conseguir ideNtificar a doença (causa). Quando a doença é corretamente identificada e tratada, eliminamos os sintomas. Isto é, concentrando nossos esforços em poucos pontos do sistema (doença) conseguimos melhorar em muito o desempenho.
Contraste este método de trabalho com o do balconista da farmácia. A pessoa chega à farmácia e diz que está com dor de cabeça, e o balconista sugere uma aspirina. Depois diz que também está com insônia, e o balconista sugere uma pílula para dormir. E assim por diante. Para cada sintoma o balconista sugere um remédio. Claro que este método de trabalho é extremamente ineficaz. Os sintomas podem até desaparecer por algum tempo, mas como as “soluções” não atacaram a causa (doença) qualquer melhora será temporária.
No dia-a-dia das empresas, os administradores trabalham mais como o médico ou como o balconista da farmácia? Eles tentam descobrir qual a causa comum para os muitos problemas da empresa (pressão no mercado para reduzir preços; várias funções na empresa culpam umas às outras pelo fraco desempenho; o fluxo de caixa está insatisfatório; os funcionários estão desmotivados; os clientes estão cada vez mais exigentes; os estoques estão muito altos; etc), ou tentam achar “soluções” individuais para cada um deles?
A abordagem tradicional nas empresas é trabalhar como o balconista da farmácia. A própria maneira como estabelecemos a estrutura hierárquica da empresa faz isso, pois departamentalizamos a empresa e com isso criamos um ambiente propício para a cultura do ótimo local.
Quando Goldratt começou a analisar a forma como as empresas eram administradas ele percebeu que o maior problema era a forma de administrar. Os gerentes não tentam administrar a empresa como se ela fosse um sistema (como o médico faz), mas tentam melhorar o desempenho de cada parte da empresa sem olhar o todo (como o balconista da farmácia faz). Goldratt diz que a administração tradicional trabalha como se fosse verdade que “otimizar cada parte do sistema faz com que o sistema como um todo fique otimizado”. Essa premissa está totalmente equivocada, é a base para a maioria dos métodos, práticas e políticas administrativas, e é uma das principais causas do desempenho ruim das empresas.
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